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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sensação e percepção

O documentário “Quem Somos Nós” aborda diversos temas relacionados à vida humana e como esta se relaciona com o meio em que vivemos, inclusive o fator existencial. Em uma das cenas, o assunto tratado é a sensação e a percepção da personagem. Amanda, personagem principal do documentário, está sonhando com um índio olhando o horizonte. A presente cena faz uma analogia à Cristóvão Colombo, quando este chegou ao Caribe e nenhum nativo conseguia enxergar os navios, embora estivessem no horizonte. A razão de não terem enxergado os nativos era porque seus cérebros nunca tinham tido conhecimento que existissem tais embarcações, nunca registraram essas imagens. O chefe da tribo começa a notar ondulações no oceano. Mesmo não vendo os navios, imagina o que poderia estar causando aquilo. Então ele começou a olhar todos os dias. Depois de um certo tempo, ele conseguiu ver os navios. E quando ele enxerga os navios, todos que confiavam nele passaram a ver também. Quando os nossos receptores sensoriais dos olhos, dos ouvidos, do nariz, da pele, da boca, etc, captam os estímulos, o cérebro busca em nossos “arquivos mentais” uma interpretação do que é captado pelos órgãos dos sentidos. O índio percebeu as ondulações no oceano, mas seu cérebro tentava organizar essas sensações para buscar uma representação mental de um estímulo percebido. É através da sensação e da percepção que percebemos o mundo, como também por meio das nossas experiências que criamos expectativas e motivos para identificar algo. Por exemplo, se avistássemos um barco no horizonte, nós recorreríamos às nossas experiências vividas para interpretar os dados. Sendo assim, depois de observar as “ondulações” por diversos dias, o índio conseguiu enxergar o barco, através dos receptores neurais especializados nos órgãos dos sentidos, que passaram os impulsos para os neurônios conectores que receberam o estímulo. Assim o barco foi codificado pelos neurônios na retina do olho e interpretado. A cena abordada é um exemplo que as vezes não conseguimos entender o que de fato existe, pois é através da sensação e da percepção que o ser humano se conecta com o mundo físico e psicológico; dependemos também do meio ambiente em que vivemos para interpretar tais informações. As pesquisas realizadas desses processos são importantes para se entender a natureza do conhecimento humano. Mas é possível que nossos olhos enxerguem mais do que o nosso cérebro tenha a capacidade de conscientemente projetar? Nós recebemos milhões de informações e o cérebro organiza dados visuais rapidamente e automaticamente sem que tenhamos consciência disso, muitas dessas informações acabam sendo descartadas e ficamos limitados pelo o que o cérebro vê. Estudam-se anos sobre um mesmo assunto, mas ainda há dúvidas a respeito dos nosso comportamento, sentimentos e pensamentos. Como somos sempre observados pela ciência, sabemos que cientistas do mundo todo se dedicam em pesquisas para desvendar os segredos da mente humana, sendo que o cérebro humano ainda é o órgão mais complexo conhecido pelo homem. Apesar desse mistério, a ciência tem se esforçado e contribuído para que psicólogos trabalhem com diversos tipos de análises. Mas ainda há uma pergunta no ar, talvez a mais intrigante: Como nós conhecemos o mundo? Por enquanto não temos uma resposta concreta, ainda temos que buscar respostas comprovadas pela ciência.

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