
Kharina Bernardo estagiou na 3ºsérie da escola Municipal de Ensino Fundamental Albino Melo, situada em Gravataí, região Metropolitana de Porto Alegre.
Ficou desanimada quando soube que a escola era situada em uma localidade bastante afastada, considerada zona rural, onde o ônibus passava duas vezes por dia e, quando chovia, a estrada se tornava uma via de difícil acesso. Mas tinha força de vontade em aprimorar seus conhecimentos, procurou pensar que seria de extrema importância para conhecer seus limites e expandir seus conhecimentos. Assim, acabou aceitando fazer o estágio.
Ao chegar na escola percebeu que os alunos eram meninos e meninas carentes; mesmo assim, a turma a recebeu com muito afeto, carinho e respeito. Era uma turma dinâmica e aberta a diálogos, o que demostrava a vontade que aqueles alunos tinham em aprender.
Com base no que tinha aprendido no curso de magistério começou a dar aulas. Ao longo dos dias percebeu que aquelas crianças precisavam de algo mais concreto para assimilar o aprendizado. Compreendendo as teorias de Piaget, através das quais coloca a necessidade do material concreto, observou que as mesmas serviam como uma alavanca para o desenvolvimento dos níveis de pensamento, necessário no processo de aprendizagem de todas as disciplinas. Começou a trabalhar de uma forma mais divertida, de modo que a criança aprendesse criando situações e esquemas - logo obteve resultados positivos.
Como a escola não tinha material pedagógico, Kharina teve a ideia de fazer jogos com materiais recicláveis, despertando a criatividade e ensinando os alunos a preservar a natureza. Para incentivar a leitura e a escrita não limitou-se a apenas contar histórias, montou um castelo de papelão e vestiu o seu vestido de 15 anos para interpretar uma princesa. Não preciso dizer que além de terem ficado encantadas, as crianças estimulavam a sua imaginação. Usou a música como uma forma diferente de aprender e entender que a música vai além de uma melodia e que traz uma lição em cada letra.
Também utilizava filmes que pudessem demonstrar sua mensagem. Para fixarem o conteúdo, os alunos faziam painéis informativos que ficavam expostos nos murais, para que pudessem ver diariamente.
Kharina procurava fazer com que as atividades ficassem menos cansativas e com que a turma sentisse prazer em realizar as atividades propostas. Usava o construtivismo como forma de ensino, pelo qual o aluno é capaz de aprender sempre. A experiência vivida por Kharina Bernardo nos faz refletir sobre a importância da formação do professor: “Não basta o professor ter apenas conhecimento dos conteúdos, precisa conhecer a quem vai ensinar, para que a mudança ocorra. E entender que as crianças realmente não são depósitos vazios que devem ser enchidos com conhecimento, mas sim construtores ativos prontos a aprender de forma prática e divertida”.
Mesmo com todas as dificuldades que enfrentou ao longo dos meses que lecionou na escola,nunca deixou de acreditar na capacidade que aquelas crianças de origem humilde tinham em criarem coisas novas e aprenderem de forma significativa. Kharina Bernardo é um exemplo de força de vontade e de professor que ensina, mas também necessita em aprender o que seu aluno já construiu.
“NÃO HÁ NADA MAIS GRATIFICANTE DO QUE VER NO FINAL QUE TODO O ESFORÇO VALEU A PENA, NADA SE COMPARA AO FATO DE TER A CERTEZA DE QUE SOMOS SIM CAPAZES DE TRANSFORMAR VIDAS!” (Kharina Bernardo)

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