
Ao assistir uma palestra sobre a importância de contar histórias para as crianças, um fato me chamou a atenção. Foi quando a palestrante perguntou para o público se alguém conhecia a história de João e Maria - claro que a maioria conhecia ou já tinha ouvido falar sobre este clássico infantil. Mas o que realmente me chamou a atenção foi quando uma jovem senhora que chamarei de T*,contou que ao fazer a matéria de literatura infantil sua professora na época pediu para que cada aluno contasse uma parte da história de João e Maria, relatou que quando chegou a sua vez não conseguiu continuar a história. Sua professora perguntou: Você não lembra dessa história? Por quê você não lembra? - contou que não sabia responder e que na hora ficou constrangida com a situação.
Após algum tempo T foi procurar ajuda na psicanálise, mas não pelo fato de não gostar da história de João e Maria, mas sim por motivos pessoais. Seu psicoterapeuta a aconselhou a conversar sobre determinados assuntos com sua mãe, apesar dela ser um pouco fechada tomou coragem e seguiu o conselho recomendado. Ao conversar descobriu fatos importantes vividos ainda no ambiente intra-uterino. É importante ressaltar que pesquisas mostram que bem antes de nascermos ainda no ventre de nossas mães há a formação de vínculos entre mãe e filho.
Bem, voltando à história, a mãe da T, quando engravidou dela, tinha recentemente perdido um bebê, que a deixou extremamente triste e com medo que acontecesse outra vez, desejava não estar grávida e a sua gravidez foi indesejada. Outro fato importante que contou foi quando aguardava ansiosamente o nascimento do seu irmão mais novo, seu pai falava brincando que não iria ficar com o bebê. Na época tinha apenas cinco anos e para uma criança dessa idade achava que seu pai realmente iria abandonar o seu irmão, tornando-se assim um fato marcante em sua vida.
Mas vocês devem estar se perguntando: Mas o que isso tem a ver com o fato dela não gostar da história de João e Maria? Vou explicar:a história de João e Maria é mais ou menos assim, “era uma vez dois irmãos que moravam com o pai e a madrasta num casebre e por não ter o que comer foram abandonados pelo pai na Floresta....o resto vocês já sabem. Mas o fato é que de certa forma inconscientemente se identificava com está história, pois como já havia dito, ainda no ambiente intra-uterino registrou o sentimento e emoções vividos naquela fase difícil que sua mãe passou, registrou as emoções negativas que são percebidas como um ataque a si próprio, sentiu-se rejeitada de alguma forma. Outro fato importante foi o medo que sentiu ao pensar que seus pais não iriam ficar com o seu irmão, sentindo-se muito triste pois achava que de fato iriam abandoná-lo. O clássico conto de João e Maria fala de abandono e rejeição e fez com que inconscientemente despertasse lembranças marcantes vividos na sua infância, isso explica o fato dela não gostar do clássico infantil que trazia a ela um certo desconforto ao contá-la.
Achei interessante publicar o relato de T que é mais uma prova que realmente falar cura, pois foi através da psicanálise que descobriu o porquê de não gostar da história de João e Maria, sentindo-se mais aliviada por desvendar um dos mistérios do seu inconsciente. Concluo também que os contos de fadas são de vital importância para o desenvolvimento infantil, pois não mostram somente o lado positivo mas sim o lado realista da vida e estão longe de serem inocentes histórias, mas sempre levam uma mensagem de esperança para criança. E que realmente os contos de fadas revelam profundos significados psicológicos mas que favorecem o desenvolvimento da personalidade,e por esta razão os contos de fadas permanecem vivos sendo contados de geração a geração sem serem esquecidos.
*O nome da personagem foi trocado para preservar sua identidade.

Realmente isto faz sentido sim ... podemos sentir tudo quando estamos no útero de nossas mães .. fica tudo no inconsciente .. é preciso sim de uma tearapia para se lembrar ... ótimo comentário amiga .. isso faz parte de nossas aulas . parabéns
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